NOVe #30 / 4ª edição
Bulício
Residências Artísticas / Espetáculos / Performance
Dramaturgia: Eduardo Corono
Criação-interpretação: Leonor Souza
NOVe / Espetáculos / Novas Criações
Bulício
1º Bulício
Num bar
Numa mesa
Completamente quadrangular
Conheço
Reconheço
E
Aprecio
Cada singularidade
Cada detalhe
Trans ponente
Transparente
De cada um
Um, a um
Individualmente
Uma contagem que regride
O ato que divide
A melancolia
Do ser
Do estar
Do perplexo daquelas extremidades quadrangulares
Do leão
Que ascende
O veneno
Do escorpião
Transcendente
Imponente
Para além da lua existe uma mentira
Da cerveja
Do copo
Altamente metafórica
Calórica
Sem pressão
Sem peso
Sem gás
Sem emoção
Sem paz
E
Naquele desassossego
Da mesa quadrangular
Cada canto
Cada voz
Representa
Movimenta
E
Observo
Sentado
Melancólico
Com as tripas em nó de pescador
Sem peixe
Na rede
Não sei nadar
Consequentemente
Político
Mil gaivotas
Rodeiam-me
Rezam
Por respirar
Bem fundo
Na submissão
Faltam nove
Nove minutos
Palavra da
Excitação
E
Molho-me
E Ahhhh
Mais que o mar
O meu próprio suor
O teor do sal
Que pureza
Que multiplica
Que incomodo
Porque incomodo
O povo português?
Num gesto
Singular
Artístico
Artista
Só de respirar
E neste desassossego
Encontro
A paz
Tirada de mim em escabeche
Num corte de cabelo
Mal-executado
Como a mesa
Em que me sentei
Quadrangular
Uma faúlha
Faz me sentir
Humilhado
Preocupado
E
Considero
Um incêndio
Uma incidência
Num genocídio
Numa carburação coletiva
De gaivotas
De marmotas
Não consigo decifrar
E o ritmo
Que já sei de cor
Do levantar
Ao pousar do copo
Da mente
Completamente descontrolada
Observo pequenas penas
Caídas
Extraídas
Do chão
Arrancadas
Manipuladas
Contadas pelo incerto
De cada quina
Desta mesa
Deste bar
O que cada canto
Me transmite
Me transgride
A pressão
Da sensação
Da gruta sociopata
Sinto me excitado
Molhado
E ahhh
Não há volta a dar
Talvez este desassossego
Seja especial
Uma zona
Um conforto
Uma manifestação
Do que realmente
Mereço
E transpareço
Serenidade
E por que será?
Terrorismos
Pedras maciças
Picaretas
De diamantes
Roubados
Da Índia
Não faz parte
Não faz parte de mim
Que a natureza onde me encontro
Seja tão,
Tão complexa
Como o ritmo
Que já não tenho
Não tenho tempo
Tempo este
Faltam nove minutos
Minetes
Money
Vaginas
Carnalmente expostas
Ao desassossego
Em que me exponho
Que expludo
Na sensação
Da pele
Menstruação
Espalhada por mim acima
Contamina
A bebida de um Deus superior
Uma moral
Mal-executada
Como o corte de cabelo
Um ato de rebeldia
O sabor
Do sabão em pó
Sobre os meus lábios
Lábios que também são teus
Que também são deles
Nesta música
Melodia
E Nanana
Posto isto
Sintonizo
Requalifico
Trafico
E a mesa muda de cor
E passa
A circular
Na corrente sanguínea
Contaminada
Minada
Chupada
Pela falta daquilo que devia ser
Pela falta daquilo que podia ser
Tudo aquilo que não é.
2º Bulício
Num bar
Numa mesa
Completamente circular
Conheço
Reconheço
E
Aprecio
Cada singularidade
Cada detalhe
Trans ponente
Transparente
De cada um
Um, a um
Individualmente
O leão
Ascende
Com veneno
Transcende
Sem rugido
Sem rumo
Sem estrugido
Ou refugado
Com a bússola estragada
E
O relógio
Não pára
E AHHHH.
Mais que o mar
Uma contagem que regride
Um ato que divide.
A melancolia.
Do ser
Do estar
Do perplexo das tuas extremidades
Ignorantes.
Contrastantes.
Capitalismo ou Socialismo
Ambas variantes
Orelhas no chão
Mortos estão
Decomposição
De letras de fado.
Sem estrugido
Sem refogado
Corpos perdidos
Cafés
Vertidos
Saboreados
Minados
Sob a mesa.
De uma cor qualquer.
Super-estimada
Circular
Debaixo da grade
Existe uma bicha
Uma lésbica
Uma mentira
E
Mais nada.
Que desilusão
Que compaixão
Que inquérito
Que mérito ser assim
Fiel a mim
Fiel ao eu criador que tudo pode e nada tem
Para além de objetos imaginários
Paredes incoloridas
Imagino cenários
Não me digam o contrário
Tu não podes criar
Procriar
Dar à luz
Um filho artístico
Morde o isco
Apaga a beata que iremos viajar
Para o interior
Canta alentejano
Em coro
Carnívoro
Osso de vidro
Coçar o pâncreas
E
Não saber nada.
Coisa alguma
Saber que
Durante a lua
Não se corta as unhas.
E eu aqui à tua espera
Que corta as tuas.
Acaba a cerveja
Altamente metafórica
Calórica
Sem pressão
Sem peso
Sem gás
Sem emoção
Sem paz
E
Naquele desassossego
Da mesa circular.
Um título roubado
Bulícios.
Elevados ao quadrado
Limonada.
Lingerie ou tangerinas.
Dias de ouro
Tardes de prata
Noites que matam
Vamos para Casa
Carne bovina
Volta para gaza!
Bip.
No talho
Sou arte
Sou espelho
Corpo
A passar
A teu lado.
Cozinhada com temperos esquecidos.
Alhos em pó
Petrificados.
Beterrabas duras.
Secadas.
Secas
Ao sol.
Do sal
Da Pureza
Que multiplica
Que incomodo
Porque incomodo o povo português?
um gesto singular
Ao fazer piscinas de umbigo.
E Ahhhh.
Bulício Bulício Bulício
Apóstolos
Martelos
Diamantes
Roubados da Índia.
Não fazem parte de mim
Não fazem parte de mim.
Que a prateleira onde me encaixo seja tão,
Tão esquecida como alho em pó.
Carne cortada
Em alguidares
E
Corto
E vou recortar
Ar do ar
Ar da porta.
Ar da costura de nervos,
Exposição composta,
E
Deixo.
Em lixívia.
A branquear
Desabrochar
Do feitiço.
E
Suspiro.
Sopro
O vento
O alento
Do Caos
Branqueado em mim
Sou tribal
Rural
Controlado.
Manipulado
Curador
Enfermeiro.
Mato vampiros
Num eco metálico
Não me dá vontade de chegar
Perpetuamente
O disco toca
No meu espelho vejo
Números
Obrigado
Obrigado
Obrigado
Olha para isto.
Olha para o lado
Olha para frente
Olha para a rua.
Sorri
Não que estejas a ser filmado
E que estejas
Faz o que quiseres
O Bulício insiste
Num eco metálico
No meu espelho os números dançam
Desculpa
Desculpa
Desculpa.
Não param
São códigos
Signos
Sígitos estranhos que me causam
Náuseas
Como se lessem em mim algo que nunca escrevi
Mas sobre o qual sempre quis escrever
3º Bulício
Num bar
Numa mesa
Completamente triangular
Conheço
Reconheço
E
Aprecio
Cada singularidade
Cada detalhe
Trans ponente
Transparente
De cada um
Um, a um
Individualmente
Uma vontade que insiste
Um terror
Que colide
Com explosão
Emoção
Erupção
De borbulhas
A borbulhar
Num perplexo das proximidades
Redundantes.
Corre.
Salta.
Grita.
Faz.
O som silencia
E
Onde é que estamos?
Sob o terreno
Alentejano
Sobrenado
Capitalizado
Por um privado
Cor de laranja
Desassossegado
Encontrado
Perdido no tempo
Em que foi
Feito
Um filho
Por gosto
Em Agosto
Feito nele escabeche
Uma franja
Mal-executada
Como a mesa em que me sentei triangular
Toalha mofada
Pingada
Pinga
Jeropiga
Memórias mortas
Embagaçadas
De água suja.
E molho-me
E Ahhh
Mais que o Mar
O talho
Fechado
No mercado
De sábado
Vende apenas
Carne estragada
Flagelada
Queimada pela
Chama
Esturricada
No Barreiro
Barrar a faca na manteiga
Com ecos de lâminas partidas
Bolas de basebol
Cruas
Sem costura
Partidas
Pontapeadas por uma criança qualquer
E eu sem fazer nada
Ponta de um chavelho
Chavalo
Cavalo
Marmelo
Pretexto
Para uma venda
De uma casa
Para alojamento local
Numa tenda
Precisas de
Chave de fendas
Parafusos
De
Portas de armários
Com humidade esquecida.
Suor
De uma mulher
Na cama
Do hotel
Embebida
E
Faltam nove minutos
Minetes
Money
Vaginas
Carnalmente expostas
Ao desassossego
Em que me exponho
Que expludo
Na sensação
Da pele
Menstruação
Espalhada por mim acima
Contamina
A bebida de um Deus superior
Uma moral
Mal-executada
Como a franja do cabelo
Enlameada
Em Almada
Agora
Ensopada
Entranhada
Nas entranhas
Sonhos
Que levam para Nárnia
Uma criança
Perdida
Estonteada
Enjoada
A Cheirar a baunilha
Ao separar
Parar stop
Sinalética
Vertical
Por acaso
Ao acaso
Em tarot
Dados lançados
Na doçaria
Ferrugem
Ferrugem
Ferrugem
Tudo entre meios
Mal-amanhados
Meio feio
Meio gordo
Meio barato.
Leite marca continente
Meio gótico.
Meio caótico.
Eu tento ignorar.
Mas não consigo.
O outro Bulício
Elevado ao quadrado
Sob a mesa quadrangular,
Estamos esquecidos
Poeticamente
Com um
Lembrete
Bilhete
Amarelo
Caramelo
Camelo
Gengibre
Vou ter de ir
E ahhh
Paramos porquê?
Quando?
O disco parou?
Devolve o vazio
Prato meio cheio
Meio comido
Eu continuo a morder a língua
Fazer piscinas de umbigo
Cerrar os dentes
Atender clientes
E falo bem baixinho
“O mercado está fechado para ti.”
E a pobre da criança
Que queria comprar
Uma lata
De cerveja
Altamente metafórica
Calórica
Sem pressão
Sem peso
Sem gás
Sem emoção
Sem paz
Observa agora
Filmes
Esqueci-me do que ia falar…
Apostas
Roubo
Moedas
Cripto mans
Corrompidos
Em redes sociais
Chega
Acabou
Finaliza
Repete
Bulício
Bulício
Bulício
Que é para nove
E não para sete
Posto isto
Sintonizo
Requalifico
Trafico
E a mesa muda de cor
E passa a circular
Na economia
Burlada
Moralizada
Modificada
Pelo puto artista
De uma aldeia qualquer
Da Covilhã quero eu dizer.
Ficha artística e técnica
DRAMATURGIA: Eduardo Corono
CRIAÇÃO E INTERPRETAÇÃO: Leonor Souza
COORDENAÇÃO ARTÍSTICA: Cristóvão Cunha, Graeme Pulleyn e Lígia Soares
DESIGN DE COMUNICAÇÃO, FOTOGRAFIAS E VÍDEO: Luís Belo
REDAÇÃO DE CONTEÚDOS E ASSESSORIA DE IMPRENSA: Susana Morais
ASSISTÊNCIA DE COMUNICAÇÃO: Laura Tavares
ASSISTÊNCIA DE PRODUÇÃO: Filipa Fróis, Hugo Miguel e Laura Tavares
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Guida Rolo
PRODUÇÃO: CEM Palcos
Vídeo Integral
O fundo do poço de Salomé está completamente seco e, por ser um poço, não encontra nenhum motivo para justificar a sua existência. Ao fundo do poço resta-lhe, efectivamente, esperar justificando a sua razão de existência. Em suma, podemos afirmar que a interioridade de Salomé assemelha-se com este mundo exposto – uma confusão total temperada de impotência, estagnação e alienação. Quando o fundo do poço permite ver o reflexo do rosto, Salomé tem um temperamento libertino e exuberante. Blimunda, mãe de Salomé, também apresentava esta interioridade complexa, mas a maturidade ensinou-lhe a gerir as águas. Toda esta elegância genial de Blimunda sustenta a incapacidade de Salomé em viver o luto.
Bilhetes
Se tiver alguma dúvida, pode contactar-nos diretamente para bilheteira@cempalcos.com
PREÇOS
Normal: 3€
Residentes zona histórica, estudantes, profissionais das artes performativas e menores de 12 anos: 2€
*Grupos e famílias com 4 pessoas ou mais: 50% de desconto













